Um lugar sujo... abandonado. Um matadouro.
O cheiro a sangue empesta a sala mal iluminada.
Estás de joelhos sem roupa. As cordas que te amarram os pulsos e tornozelos parecem se fundir com a própria pele de tão apertadas que estão.
À tua frente uma guilhotina tão ou mais suja que a sala estreita. Enferrujada. Não, não é ela a portadora da tua morte.
Ouves um grito. Uma voz feminina. Uma voz conhecida. Quem será?
Passos ecoam... alguém se aproxima.
Breve silêncio.
O barulho de chaves a embater umas nas outras e num instante a porta é destrancada. A porta abre-se lentamente emitindo um ranger ensurdecedor.
Viras o rosto lentamente. Tantas horas na mesma posição deixaram os músculos doridos.
Um rosto conhecido. Que faz ela aqui? Veio te salvar? Não. Foi ela que te trouxe.
A garganta seca impede-te de falar. Só sons irreconhecíveis são pronunciados.
O teu olhar transborda a confusão que sentes, e aquele sorriso... Como pode ela estar tão calma enquanto tu estás nessa situação?
Ela falou. Que disse? Algo como 'reles'. É ela a culpada. Devias ter-te afastado.
Tenta mais uma vez soltar-te das cordas em vão. Voltas a olha-la. O que é aquilo? Uma espada? Uma espada de verdade?! E aquele sorriso.. ela... ela está a gostar.
Por momentos paras de te debater com as cordas. Uma partida? Só pode ser uma brincadeira.
O sorriso desapareceu, deu lugar a um ar sério. Um dos olhos permanecia tapado pelo cabelo, o outro parecia brilhar.
Lágrimas? Porque chora ela?
Tentas falar mas a garganta arde-te, de novo as palavras ficam encravadas.
De repente ela dá um passo na tua direção. Um e outro até estar a menos de um metro de distância. A espada que até então parecia servir apenas como adereço foi elevada.
Sentes a lamina fria bater-te levemente no queixo.
'Olha para mim!' a rapariga ordena.
Obedeces ainda em dúvida sobre o que está a acontecer. Um sonho? Uma brincadeira? Ou talvez não.
Ela sorri. De novo pensas que não passa de uma partida de mau gosto, que a qualquer momento alguém gritará 'CORTA!' e as luzes se acenderão.
Mas nada. Os minutos passam e a jovem rapariga continua a chorar, quieta e em silêncio.
Ela agacha-se pousando a espada no chão e dá-te um beijo na testa.
Só então reparas. Raparam-te o cabelo.
A mão que permanecia atrás do seu corpo exibe agora uma garrafa de água. Ela dá-te de beber.
Levanta-se para sair, mas não sem antes deixar um presente. Sentes uma dor aguda e um grito foge da tua garganta dorida. Olhas o braço... um corte profundo.
A porta fecha-se.
Ao longe ouves ' Primeiro ela, depois tu... Itachi'
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