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terça-feira, 9 de outubro de 2012

II

Gritos, gritos e mais gritos. Passaram-se horas ou talvez apenas minutos em que o único som era esse. Berros desesperados que ecoavam na tua cabeça.

Finalmente silêncio.

Descanso para os teus ouvidos... descanso para a rapariga também.

Novamente passos, o abrir da porta e a tua sombra projetada na escura guilhotina.

Porque não te mexeste? Dói assim tanto?

Vês a sombra dela. A espada é levantada e... escuridão.

Acabou? Não. Ainda mal começou.

Levantas-te cambaleante, os tornozelos doem-te, os pulsos também, tudo te dói.
Olhas à volta. Um quarto diferente. Não mais iluminado mas mais limpo. Uma cama, um espelho e uma caixa.. raio de decoração.

Pões-te em frente ao espelho tentando ignorar a curiosidade. De pijama. E os ferimentos? Tratados.

Pensas que acabou? Não te iludas.

O som do teu respirar enche o quarto. Estás agitado. A curiosidade grita para que a mates.

Aproximas-te da caixa. É comprida. Porque abres se já sabes o que é?

Um movimento, a caixa está aberta. Uns olhos assustados te olham, uns olhos verdes que se destacam no meio de tanto sangue. O rosto intacto. O resto... nem parece humano.

Foi demais. Fechas a caixa e quase corres até ao canto contrário do quarto.

E agora? O medo voltou... és o próximo, já te tinhas esquecido?

Novamente silêncio. O silêncio consegue ser tão irritante...

E lá estás tu, deitado num velho colchão. Olhos fechados. A rezar talvez, ou a dormir... espera... pensas que  é um sonho?

Não é? A tua amiga está morta. A tua outra amiga matou-a. E tu nada fizeste! No fundo sabes que a culpa é tua.

A porta abre-se num estrondo. É ela com o seu típico sorriso. Algo te capta o olhar.

Uma arma? Ela está armada, e agora Itachi?

Aproximas-te a passos lentos, ela volta a sorrir e guarda a arma.

 -Sabia que não eras capaz de me impedir. Vamos?

Então isto tudo foi por isso? Para te provar que estava certa?

Tentaste falar mas ela não to deixou. Andou pelo estreito corredor até adentrar numa sala bem iluminada.
Ao centro uma mesa com comida chamativa. Entre ti e a mesa está ela.

Porque não andas? Medo? Foste tu que disseste que ela não era capaz de matar. Passa por ela e mata a fome!

Teu olhar prendeu na arma pendurada no cinto.

Temes a arma mas não quem a usa? Má ideia.

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