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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

III

Aquele sorriso inocente de novo. Como se ela fosse inocente.

Deu-te passagem.

Corres com o resto das tuas forças para a mesa. Mas.. o que é isto?
Comida de plástico?!

O desespero toma conta de ti quando a ouves rir alto.
Contaram uma piada? Tu foste a piada!

Estás chateado, zangado, fulo, desesperado. Punhos cerrados. Corres na direção dela.

Estás lento. Ela desvia-se com facilidade e cais no chão.

Frio. A arma fria na tua nuca impediu que te levantasses.

- Lembras-te? - abriu um termo - Ainda queres brincar?

O cheiro a chocolate quente depressa invadiu-te as narinas.

Viras-te ignorando a pequena arma. Ela aproxima-se. Senta-se no teu colo.

A arma é pousada. Uma mão é levada à tua boca para que a abras.

Obedeces? Claro. Que escolha tens?
Já nem forças tens para agarrar a arma.

Um, dois e já está. O liquido verteu em direção aos teus lábios. Escaldava, mas a fome era demasiada para recusar a bebida.

Olhaste-a. Outra vez não... Dor e escuridão.

No quarto novamente. A caixa já lá não está.

A fraca luz é desligada.

Por detrás da porta ouves 'descansa'.

-És louca! - gritas por fim.

Um riso baixo e um murmúrio:
-Louca por ti...

Dias se passaram. Há quanto tempo não sais deste quarto?
Uma refeição por dia. Não vais durar muito assim.

Recebes duas visitas diárias não tens porque te queixar!

Mas hoje foi diferente. Duas refeições? Deves estar quase a morrer.

Já é noite.. pelo menos parece.
Ela voltou. Jogou algumas roupas na cama e uma toalha molhada pro teu rosto.

-Põe-te giro que hoje és capaz de ter sorte.

Saiu e fechou a porta. Sorte? Gaja maluca... Tua sorte é sair daqui vivo!

Puseste-te pronto. Então lembras-te... ela fechou a porta mas não ouviste o som do trinco. Não a trancou.

Empurraste a pesada porta. A luz cegou-te por breves segundos.

Saída? Ali! Aquela porta! Corre!!!

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